Este texto de Pulido Valente, escrito com o brilho que lhe próprio e que lhe faculta escrever geralmente errado de forma magnificente, o que o torna tão estimado pelo público ledor, poderia estar eivado de razão, mesmo à rebours como é em geral seu timbre, não fosse um pequeno detalhe: a conclusão que tira de que o premier ainda que crivado de coisas negras(o homem está a meu ver impoluto), devia estar sob o manto do resguardo, pois que o que importa é a segurança da Nação. Passando em claro de que isso é paralelo ao que Marcelo Caetano defendia, que mais valia cometer uma injustiça que pôr o regime em cheque (a sociedade, dizia aquele benemérito), importa verificar que quando um governante prevarica de alguma forma, a segurança da Nação é ipso facto atingida POR ELE. Deixa de ser um cidadão no qual a nação espera, para passar a ser um desqualificado. Assim, o que importa saber não é senão isto: se um alto magistradoto, pelo seu comportamento, não arrasou o mérito e a confiança que lhe cabiam. E não me refiro a este ambiente de cá, mas em geral. Ver a coisa de outra forma é abrir caminho ao arbítrio, a cover-ups e, mais grave, ao cripto-fascismo.
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