Embora o PSD permaneça o partido com maior número de presidências de câmara - 140 - e, portanto, continue líder da Associação Nacional de Municípios Portugueses, o PS é o vencedor político das eleições autárquicas: subiu em número de presidências de câmara de 110 para 131 e obteve a maior percentagem de votos, com 37,67 pontos, atingindo mais de dois milhões de votos.Além disso, o resultado dos socialistas é engrandecido pela manutenção da capital, Lisboa, e de cidades como Évora. E também pelo aumento do número de capitais de distrito: em Leiria elege Raul de Castro contra Isabel Damasceno do PSD e em Beja os socialistas elegem Jorge Pulido Valente, numa câmara que era do PCP desde o 25 de Abril.Nas capitais de distrito, o PS tem, contudo, uma derrota importante: perde Faro para o PSD. Mas conquista ao PSD cidades como Barcelos, Figueira da Foz e Tavira.O PSD obteve 22,91 por cento dos votos nas candidaturas em que se apresentou sozinho às urnas e ainda mais 15,04 por cento nas coligações que fez com o CDS, contra 28,27 por cento dos votos sozinho e 10,28 por cento em coligações há quatro anos.Em número de presidências, o PSD desce de 157 câmaras municipais para 140, mas mantém câmaras importantes como o Porto, onde Rui Rio foi reeleito com maioria absoluta, Sintra, onde Fernando Seara se mantém nos paços do concelho pela terceira vez, Gaia com Luís Filipe Menezes a manter a maioria absoluta e Coimbra com Carlos Encarnação a resistir à erosão eleitoral provocada pela candidatura independente do seu antigo número dois, Pina Prata.O PSD consegue, ainda, conquistar uma capital de distrito emblemática dos socialistas - Faro -, onde Macário Correia ultrapassou nas urnas José Apolinário. Ainda que perca uma cidade emblemática como Leiria.PCP perde BejaO PCP desceu de 32 câmaras há quatro anos para 28 agora, e de uma percentagem de 10,94 por cento dos votos para 9,77 por cento. Ao nível de câmaras, a derrota mais simbólica do PCP foi a perda de Beja, a que os comunistas presidiam desde as primeiras autárquicas da democracia, em 1976, perdendo ainda a maioria na Câmara de Aljustrel e em cidades como Marinha Grande e Sines, aqui para um movimento de independentes que eram ex-autarcas da CDU. Os comunistas mantêm centros importantes como Setúbal, Almada, Barreiro e Palmela, na margem sul do Tejo, recuperando câmaras como Alpiarça, Alvito e Crato, que entretanto tinham perdido para os socialistas.CDS e BE insignificantesJá o CDS mantém o perfil de partido sem grande implantação autárquica, que foi, aliás, perdendo ao longo das últimas décadas. O facto de ter concorrido em coligação com o PSD em inúmeros concelhos dificulta leituras nacionais de votos do CDS. Mas o que é facto é que, nos locais em que concorre sozinho, o CDS tem 3,09 por cento contra 3,07 por cento há quatro anos - ou seja, praticamente o mesmo. O CDS manteve a sua única câmara, Ponte de Lima, agora presidida por Vítor Alves Mendes, em substituição de Daniel Campelo.O Bloco de Esquerda manteve a sua única câmara, em Salvaterra de Magos, presidida por Ana Ribeiro. E não conseguiu eleger Luís Fazenda como vereador em Lisboa. Tendo obtido 3,02 por cento dos votos a nível nacional contra os 2,9 por cento dos votos.Quanto a presidentes de câmara eleitos em listas de cidadãos sem partido, foi a vez de Amares, Alandroal, Sines, Estremoz e do Redondo, no Alentejo, elegerem os seus representantes de movimentos de independentes.Mas também de Oeiras e de Gondomar, onde os agora independentes Isaltino Morais e Valentim Loureiro foram reeleitos. Relembre-se que Isaltino foi condenado em tribunal por corrupção passiva, abuso de poder, branqueamento de capitais e fraude fiscal, mas aguarda a resposta ao seu recurso para tribunal superior, pelo que a sentença ainda não transitou em julgado, podendo, contudo, vir a perder o mandato para o qual agora foi eleito.Saliente-se ainda que Fátima Felgueiras, que também teve problemas com a justiça, tendo sido condenada por peculato e abuso de poder, perdeu a Câmara de Felgueiras. Também Avelino Ferreira Torres, que foi igualmente condenado em tribunal por peculato e abuso de poder, não conseguiu ganhar a sua recandidatura à Câmara do Marco de Canaveses.Quanto à abstenção, ela atingiu nestas eleições os 41,7 por cento dos eleitores recenseados, ligeiramente acima dos números de 2005. Votaram ontem 5,528 milhões de eleitores.